quarta-feira

Visão Espírita da Bíblia


18 - DEUS MORRE QUANDO OS HOMENS SE APEGAM À LETRA QUE MATA 

Revistas inglesas, norte-americanas, alemãs e francesas vêm há meses anunciando a morte de Deus. Uma revista brasileira aproveitou o assunto e os dados das revistas estrangeiras. Não há nenhuma novidade no assunto, que outras publicações do mundo inteiro vão repetindo. Nem se trata de campanha contra a idéia de Deus, como pretendem alguns religiosos de vistas curtas. Simples questão de interesse jornalístico. Mas a verdade é que tudo começou com os teólogos, os doutores da ciência de Deus, que já não sabem mais o que fazer com essa ciência. 

A existência de ateus e a propagação do ateísmo não são novidades. Os ateus já dominam politicamente mais da metade do mundo. Ideologicamente representam a maioria das pessoas cultas. Para todos eles, Deus já morreu há muito tempo. As igrejas são importantes para devolver-lhes a fé. Esse o motivo do desespero dos teólogos, que chegam* à conclusão de que Deus está morrendo e é necessário salvá-lo. Mas é preciso não confundir Deus com a concepção antropomórfica de Deus. O que está morrendo, e ninguém jamais conseguirá reabilitá-la, é essa concepção, oferecida ingenuamente pelos pregadores bíblicos a um mundo que não vive mais a fase agrária da civilização judaica antiga. 

Os fanáticos da Bíblia não podem evitar a morte de Deus. Quanto mais falarem e escreverem sobre Deus, mais o afastarão do espírito arejado dos homens modernos. Porque a idéia de um Deus semelhante ao homem só podia servir para criaturas ingênuas, numa fase primária da evolução humana. Enquanto os teólogos, os pregadores, os religiosos em geral, não se convencerem de que as Escrituras Sagradas não são tabus e devem ser estudadas no seu espírito, sem apego à letra, nada poderão fazer contra o ateísmo. 

A concepção bíblica de Deus é alegórica, como já afirmamos numerosas vezes. O Livro dos Espíritos ensina isso desde as suas primeiras páginas. A própria Bíblia proíbe que façamos imagens de Deus, pois essas imagens são perecíveis. Quando elas morrem, Deus pode morrer na alma desolada dos crentes. Se quisermos evitar a morte de Deus na consciência humana, evitemos o literalismo bíblico e a idolatria. Uma imagem mental de Deus é também um ídolo perecível, e quem a cultua não é menos idólatra que os adoradores de imagens materiais. A concepção espírita de Deus está acima dessas controvérsias teológicas. O Deus espírita não é um ídolo, mas aquela realidade que, como dizia Descartes, está na consciência do homem como a marca do artista na sua obra.


19 - JESUS PROCLAMOU EM NAZARÉ O ANO AGRADÁVEL AO SENHOR

 Jesus declarou, na sua prédica primeira na Sinagoga de Nazaré, ao ler Isaías e interpretá-lo: "O espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para por em liberdade os oprimidos e proclamar o ano aceitável do Senhor". É o que consta dos versículos 18a 19 do Cap. IV do Evangelho de Lucas, tradução de Almeida, revista e atualizada no Brasil. Outras traduções mencionam, em lugar de "ano aceitável" o "ano agradável ao Senhor". 

Esse ano era uma tradição judaica a que o Levítico se refere de maneira minuciosa (XXV: l-34). Havia o ano Sétimo, o Sábado do Senhor, por analogia com a semana que era o ano do descanso da terra cultivada. E havia o Ano do Jubileu, ou Qüinquagésimo, que era o da Justiça, caracterizado na proclamação de Jesus. De cinqüenta em cinqüenta anos se procedia a uma verdadeira reforma da estrutura agrária do Estado para o reequilíbrio das condições sociais, com libertação dos escravos. Jesus serviu-se dessa tradição para anunciar a sua missão como a proclamação do Ano Agradável ao Senhor, ou seja, de uma nova fase da vida na Terra. 

Um famoso pastor, o rev. Stanley Jones, chamado o Cavaleiro do Reino de Deus, estudou essa tradição em suas ligações com o Cristianismo dos primeiros tempos, demonstrando que os cristãos primitivos queriam realmente estabelecer na Terra o Ano Agradável ao Senhor. A idéia do Novo Ano como oportunidade de renovação, de volta do homem para Deus e de sujeição das leis humanas às leis de Deus vem das próprias Escrituras. Em O Livro dos Espíritos, de Kardec, obra básica do Espiritismo, essa idéia se traduz num esforço profundo de renovação pessoal e social, afirmando os Espíritos que a função da doutrina é renovar o mundo para aproximá-lo das leis de Deus cujo centro de gravitação é a "Lei de Justiça, Amor e Caridade", estudada num capítulo especial. 

Aproveitemos a oportunidade do Novo Ano para ler esse capítulo do Livro III de O Livro dos Espíritos e meditar sobre as palavras de Jesus na proclamação de Nazaré. O Cristianismo é o foco central de um processo histórico que vem do Judaísmo e se desenvolve no Espiritismo, segundo a promessa de Jesus no Evangelho de João. A finalidade do Espiritismo é estabelecer na Terra o Ano Agradável ao Senhor, com a substituição do egoísmo e da ambição do homem velho pelo amor e a fraternidade do homem novo. Que o Novo Ano nos ajude nessa renovação cristã. 


20 - A GÉNESE EXPLICADA À LUZ DOS PRINCÍPIOS ESPÍRITAS 

O Espiritismo rejeita a concepção bíblica da gênese ou procura explicá-la? Como temos dito, repetindo afirmações de Kardec e Denis, o Espiritismo é a grande síntese do conhecimento. Originada pelo desenvolvimento histórico do Cristianismo, essa síntese obedece à orientação do Cristo: não vem destruir ou negar, mas confirmar e explicar. No caso da criação do mundo e do homem, segundo a Bíblia, ele confirma a realidade na alegoria e dá a explicação desta. Impossível tomar-se hoje a Bíblia ao pé da letra. É necessário penetrar o sentido dos seus símbolos, dos seus mitos, das suas alegorias.

No capítulo quatro de A Gênese, Kardec estuda o problema à luz das conquistas científicas do seu tempo. Mostra que o poema bíblico da Criação é uma explicação figurada, à semelhança da gênese de todas as religiões antigas, e conclui: "De todas as antigas gêneses, a que mais se aproxima dos dados científicos modernos, apesar dos seus erros, hoje evidentemente demonstrados, é incontestavelmente a de Moisés". Alguns dos seus erros, acrescenta, são mais aparentes do que reais, decorrendo de falsas interpretações de palavras nas traduções, de modificações semânticas ao longo dos milênios e de se tomar ao pé da letra as suas expressões e formas alegóricas. O Livro dos Espíritos, no capítulo primeiro de sua terceira parte, traz um estudo intitulado "Considerações e concordâncias bíblicas referentes à Criação", que esclarece bem este assunto. No capítulo décimo segundo de A Gênese, reproduzindo o texto bíblico, Kardec o estuda em relação aos dados científicos, oferecendo um quadro comparativo da alegoria dos seis dias da criação com os espíritos da formação geológica determinados pela Ciência. Acentua, porém, que a concordância não é rigorosa e não pode ser tomada como tal, mas basta para provar a intuição da realidade na alegoria bíblica. 

Kardec conclui o capítulo afirmando: "Não rejeitemos, pois, a gênese bíblica, mas estudemo-la, como estudamos a história da origem dos povos". Hoje, os próprios teólogos católicos e protestantes estão endossando as explicações espíritas. Há uma revolução teológica em marcha, que vem apenas confirmar a legitimidade da interpretação espírita das Escrituras. Só os crentes fanáticos da Bíblia, os literalistas amarrados ao texto, ainda investem contra o Espiritismo de Bíblia em punho. 


J.Herculano Pires
Paz e Luz!

Solução Natural


Os espíritos benfeitores já não sabiam como atender à pobre senhora obsidiada.

Perseguidor a perseguida estavam mental-mente associados à maneira de polpa e casca no fruto.

Os amigos desencarnados tentaram afastar o obsessor, induzindo a jovem senhora a esquecê-lo, mas debalde.

Se tropeçava na rua, a moça pensava nele...

Se alfinetava um dedo em serviço, atribuía- lhe o golpe...

Se o marido estivesse irritado, dizia-se vítima do verdugo invisível...

Se a cabeça doía, acusava-o ...

Se uma xícara se espatifasse, no trabalho doméstico, imaginava-se atacada por ele...

Se aparecesse leve dificuldade econômica, transformava a prece em crítica ao desencarnado infeliz...

Reconhecendo que a interessada não encontrava libertação por teimosia, os instrutores espirituais ligaram os dois - a doente e o acompanhante invisível - em laços fluídicos mais profundos, até que ele renasceu dela mesma, por filho necessitado de carinho e de compaixão.

Os benfeitores descansaram.

O obsessor descansou.

A obsidiada descansou.

O esposo dela descansou.

Transformar obsessores em filhos, com a bênção da Providência Divina, para que haja paz nos corações e equilíbrio nos lares, muita vez, é a única solução.

Espírito Hilário:
Chico Xavier

Paz e luz!

O Mais Difícil


Diante das águas calmas, Jesus refletia. Afastara-se da multidão, momentos antes. Ouvira remoques e sarcasmos. Vira chagas e aflições. O Mestre pensava…

Tadeu e Tiago, o moço, João e Bartolomeu aproximaram-se. Não era aquele um momento raro? E ensaiaram perguntas.

– Senhor – disse João -, qual é o mais importante aviso da Lei na vida dos homens?

E o Divino Amigo passou a responder: – Amemos a Deus sobre todas as coisas e o próximo como a nós mesmos.

– E qual a virtude mais preciosa? – indagou Tadeu.

– A humildade.

– Qual o talento mais nobre, Senhor? – falou Tiago.

– O trabalho.

– E a norma de triunfo mais elevada? – interrogou Bartolomeu.

– A persistência no bem.

– Mestre, e qual é, para nós todos, o mais alto dever? – aventurou Tadeu novamente.

– Amar a todos, a todos servindo sem distinção.

– Oh! Isso é quase impossível – gemeu o aprendiz.

– A maldade é atributo de todos – clamou Tiago -; faço o bem quanto posso, mas apenas recolho espinhos de ingratidão.

– Vejo homens bons sofrendo calúnias por toda parte – acentuou outro discípulo.

– Tenho encontrado mãos criminosas toda vez que estendo as mãos para auxiliar – disse outro.

E as mágoas desfilaram diante do Mestre silencioso.

João, contudo, voltou a interrogá-lo:

– Senhor, que é mais difícil? Qual a aquisição mais difícil?

Jesus sorriu e declarou:

– A resposta está aqui mesmo em vossas lamentações. O mais difícil é ajudar em silêncio, amar sem crítica, dar sem pedir, entender sem reclamar… A aquisição mais difícil para nós todos chama-se paciência.

**************

Pelo Espírito Hilário Silva. 
Psicografia de Francisco Cândido Xavier.

Livro: A Vida Escreve. Lição nº 10. Página 49.

Paz a todos!

Visão Espírita da Bíblia



15 - EXPRESSÕES E PALAVRAS DESFIGURADAS NA BÍBLIA


Estamos vivendo uma fase de intensa reformulação dos textos bíblicos. A "Palavra de Deus" vem sendo alterada, modificada e muitas vezes arranjada, de acordo com os interesses dos homens. Já existe mesmo uma tradução da Bíblia que se diz aceitável pelos materialistas. A velha discussão sobre a Vulgata Latina levou os novos tradutores a recorrerem ao texto hebraico.

A tradução clássica do padre Figueiredo, segundo a Vulgata, é acusada de suspeitas, preferindo-se a do padre Almeida, que como vimos, também já foi modificada. O religioso esclarecido sabe muito bem que as versões antigas da Bíblia estão superadas. Mas há os que nada entendem e consideram o velho livro como intocável e imutável. Esses acreditam cegamente nas pretensas condenações ao Espiritismo. Para eles, só podemos repetir as palavras de Jerônimo de Praga, quando uma velhinha beata levou mais uma acha de lenha para a fogueira em que o queimaram: "Sancta Simplicitas". A tradução dinamarquesa da Bíblia não trata dos dons espirituais. O teólogo Haraldur Nielsson explica-nos a razão dessa aparente discrepância. Pasmem os defensores do dogma da graça, que consideram Deus como chefe do partido a que pertencem! O tradutor categorizado da Bíblia para o islandês, o rev. Nielsson, que fez a tradução a serviço da Sociedade Bíblica Inglesa, declara: "No texto grego está a palavra Espíritos e não a expressão Dons Espirituais". E acrescenta: "Em muitas traduções da Bíblia, esta passagem foi verificada de maneira confusa apesar de não haver a menor dúvida quanto à verdadeira significação dos termos gregos do texto original: "epei zelotai este pneumaten".

Nielsson adverte ainda que os tradutores e revisores da Bíblia nem sempre tiveram a coragem de traduzir com exatidão os textos originais que se referem claramente à comunicação dos Espíritos. E faz, corretamente, uma grave denúncia: "Os teólogos prenderam os seus sistemas em pesadas e estreitas cadeias". A Bíblia, estudada segundo o espírito que vivifica, sem os prejuízos da letra que mata, revela a sua face espirítica e por tanto mediúnica, como o demonstra o rev. Nielsson e como afirmou Kardec. Trataremos mais amplamente dos Dons Espirituais.


16-EPÍSTOLAS TESTEMUNHAM MEDIUNIDADE APOSTÓLICA
A expressão Dons Espirituais, como a expressão Espírito Santo, não aparece nos textos bíblicos originais. O rev. Nielsson declara, com sua autoridade de teólogo e traduzir da Bíblia: "Os termos da Vulgata Latina, spiritum bonum, correspondem exatamente aos dos originais gregos. A Vulgata não fala absolutamente em Espírito e Espírito Santo". Isso, no tocante ao Novo Testamento, pois no Velho só se fala em Espírito e Espírito de Deus. Quanto aos Dons Espirituais, a situação é a mesma. Essa expressão aparece apenas nos textos paulinos, com a palavra grega charismata, que significa literalmente mediunidade, ou seja, a graça de ser intermediário entre os Espíritos e os Homens. 
Os estudos do Rev. Haraldur Nielsson, enfeixados no livrinho O Espiritismo e a Igreja, recentemente lançado, esclarecem bem este assunto. Nielsson nos mostra, com sua imensa autoridade, que a palavra transe vem da Bíblia, derivando diretamente de êxtase. Eis uma das suas afirmações: "O próprio Paulo nos diz que estava freqüentemente em transe. O apóstolo Pedro conta-nos a mesma coisa". E a propósito de João e sua advertência para examinarmos "se os Espíritos são de Deus", lembra que Paulo também adverte que: "... ninguém que fala pelo Espírito de Deus diz anátema contra Jesus..." (l Cor. XII:3). 

A mediunidade era usada entre os judeus e entre os cristãos primitivos, e Nielsson acentua textualmente: "Segundo a concepção dos tempos apostólicos, os Espíritos podiam ser bons ou maus, muito evoluídos ou inferiores e atrasados". Isto explica as advertências apostólicas, pois nas assembleias cristas manifestavam-se também os maus Espíritos, amaldiçoando o Cristo para defenderem o Judaísmo ortodoxo ou mesmo para defenderem as religiões politeístas, que também usavam a mediunidade. 

Vemos assim como são inúteis os ataques ao Espiritismo em nome da Bíblia, que é um livro mediúnico. E como os espiritistas e o Espiritismo nada têm a temer da Bíblia. E preciso apenas mostrar a verdade sobre a Bíblia, separar o que há nela de humano e divino, não aceitá-la de olhos fechados, dogmaticamente, como "a palavra de Deus", o que é simples absurdo proveniente de épocas de fanatismo. A Bíblia é muito valiosa para os espiritistas estudiosos, porque é o maior e mais vigoroso testemunho da verdade espírita na Antiguidade. ''


17 - COMO OS APÓSTOLOS FAZIAM AS SUAS SESSÕES ESPÍRITAS 

Qual era o culto dos cristãos na Igreja Primitiva? Que responda o apóstolo Paulo, na l Epístola aos Coríntios. Nas suas instruções para a celebração da ceia, (XI: 17-34), Paulo nos mostra que esta era simbólica e memorial. Não se tratava propriamente de uma ceia, mas de uma cerimônia religiosa, e os participantes já deviam ter tomado em casa o seu alimento, para não perturbarem a reunião. Comia-se o pão e bebia-se o vinho. Um pequeno pedaço de pão e uma pequena taça de vinho, em memória do Senhor. Veja-se a advertência do vers. 34: "Se alguém tem fome, coma em casa, a fim de não vos reunirdes para juízo". 

A cerimônia simbólica de pão e de vinho não era privativa dos cristãos. Os próprios cananitas a usavam, a ceia maçônica primitiva se constituía dela, e as religiões idólatras a praticavam para os pagãos; o pão representava a deusa Ceres e o vinho o deus Dionísio. Para os cristãos, o pão representava a matéria e o vinho o espírito. A união do espírito com a matéria produzia a "comunhão", que tanto pode ser a encarnação do espírito quanto a incorporação, o nascimento do ser humano ou a união de espírito como o profeta para a transmissão da comunicação mediúnica. 
Os profetas eram chamados "pneumáticos", na expressão grega do texto, que quer dizer: cheios de espírito. Havia dois tipos de espíritos: os de Deus, que eram bons, e os do Mundo, que eram maus. A respeito das comunicações, Paulo é incisivo:
 "A manifestação do espírito é concedida a cada um, visando a um fim proveitoso". Reunidos os pneumáticos à mesa, em ordem, não se devia permitir o tumulto. Paulo avisa: "Tratando-se de profetas, falem apenas dois ou três, e os outros julguem". Do Cap. XI ao XIV, Paulo ensina como se fazia a reunião "pneumática" da Igreja Primitiva, e essas regras são as mesmas das sessões mediúnicas de hoje. 

O dogmatismo desfigurou a pureza do texto, através de interpretações errôneas ou capciosas. Mas, apesar disso, o texto conserva o sentido verdadeiro, mesmo nas traduções atualizadas. As citações acima são da tradução de Almeida, na recente edição da Sociedade Bíblica do Brasil, na qual foi introduzida a palavra "médium". O estudo das expressões de Paulo nessa epístola, à luz dos estudos históricos e em confronto com todo o contexto escriturístico, mostra que os apóstolos e os cristãos primitivos faziam sessões espíritas. E mostra mais: que nessas sessões, como nas atuais, manifestavam-se espíritos bons e maus; aqueles, dando instruções e estes, necessitando de orientação espiritual. Para esconder sua verdade, foram necessárias as "pesadas e estreitas cadeias" de que fala o rev. Haraldur Nielsson em seu livro O Espiritismo e a Igreja.

J. Herculano Pires
Paz e Luz

Sementeira e Construção


"Porque nós somos cooperadores de Deus vós sois lavoura de Deus e edifício de Deus." 
Paulo (I Coríntios, 3:9)

Asseverando Paulo a sua condição de cooperador de Deus e designando a lavoura e o edifício do Senhor nos seguidores e beneficiários do Evangelho que o cercavam, traçou o quadro espiritual que sempre existirá na Terra em aperfeiçoamento, entre os que conhecem e os que ignoram a verdade divina.

Se já recebemos da Boa Nova a lâmpada acesa para a nossa jornada, somos compulsoriamente considerados colaboradores do ministério de Jesus, competindo nos a sementeira e a construção dele em todas as criaturas que nos partilham a estrada.

Conhecemos, pois, na essência, qual o serviço que a Revelação nos indica. logo nos aproximemos da luz cristã.

Se já guardamos a bênção do Mestre, cabe-nos restaurar o equilíbrio das correntes da vida, onde permanecemos, ajudando aos que se desajudam, enxergando algo para os que jazem cegos e ouvindo alguma coisa em proveito dos que permanecem surdos, a fim de que a obra do Reino Divino cresça, progrida e santifique toda a Terra.

O serviço é de plantação e edificação, reclamando esforço pessoal e boa vontade para com todos, porquanto, de conformidade com a própria simbologia do apóstolo, o vegetal pede tempo e carinho para desenvolver-se e a casa sólida não se ergue num dia.

Em toda parte, porém, vemos pedreiros que clamam contra o peso do tijolo e da areia e cultivadores que detestam as exigências de adubo e proteção à planta frágil.

O ensinamento do Evangelho, contudo, não deixa margem a qualquer duvida.

Se já conheces os benefícios de Jesus, és colaborador dele, na vinha do mundo e na edificação do espírito humano para a Eternidade.

Avança na tarefa que te foi confiada e não temas. Se a fé representa a nossa coroa de luz, o trabalho em favor de todos é a nossa bênção de cada dia.


Pelo Espírito Emmanuel. 
Médium Chico Xavier

Este Dia


Este dia é o seu melhor tempo, o instante de agora.

Se você guarda inclinação para a tristeza, este é o ensejo de meditar na alegria da vida e de aceitar-lhe a mensagem de renovação permanente.

Se a doença permanece em sua companhia, surgiu a ocasião de tratar-se com segurança.

Se você errou, está no passo de acesso ao reajuste.
Se esse ou aquele plano de trabalho está incubado em seu pensamento, agoraé o momento de começar a realizá-lo.

Se deseja fazer alguma boa ação, apareceu o instante de promovê-la.

Se alguém aguarda as suas desculpas por faltas cometidas, terá soado a hora em que você pode esquecer qualquer ocorrência infeliz e sorrir novamente.

Se alguma visita ou manifestação afetiva esperam por você chegou o tempo de atendê-las.

Se precisa estudar determinada lição, encontrou você a oportunidade de fazer isso.

Este dia é um presente de Deus, em nosso auxílio; de nós depende aquilo que venamos a fazer com ele.


Do livro "Respostas da Vida", 
André Luiz / Chico Xavier

Paz e Luz!

quinta-feira

No Ato de Pedir


Em formulando rogativas ao Céu, não olvides que a oração, como súplica, tanto quanto ocorre a edificações comezinhas da experiênci humana, pode ser dividida em três processos essenciais: desejo,esforço e realização.

O desejo é a aspiração ardente.
O esforço é o trabalho
.A realização é a resposta da vida.

O arquiteto concebe um edifício, mas se não mobiliza os recursos precisos à construção, não logra concretizar o projeto.

O oleiro idealiza o vaso nobre, entretanto, se foge ao contacto com obarro obscuro que lhe propiciará a obra prima, em vão tê-la-á estruturado na visão mental. 

O lavrador sonha com a messe rica e farta, contudo, se abandona aenxada à ferrugem, quando a gleba lhe solicita suor na sementeira, debalde esperará pela colheita que se lhe desvanecerá no espírito por ilusão distanciada e inútil... 

Não te circunscrevas ao ato de suplicar...
Felicidade e esperança, alegria e amor, cooperação e simpatia, são talentos substanciais que nos reclamam sacrifício para frutescerem nocampo da vida. 

Indispensável plantar o bem nos mínimos atos de cada dia, nas mais insignificantes situações e entre os mais ínfimos seres, se nos propomos colher o bem, na forma de saúde e bom ânimo, ventura e segurança, contentamento e fé viva. 

Recorda que o próprio Cristo, em desejando a redenção da Humanidade, não se limitou ao êxtase das preces inoperantes no Céu.

Oferecendo-se em nosso auxílio, veio até nós e sofreu a extrema renúncia, para legar-nos os tesouros eternos da vida. 

Na oração em que te diriges à Providência Divina implorando algo, não te esqueças de que algo deves fazer para que algo obtenhas.

Sobretudo, ajuda indistintamente, porque o serviço ao próximo é a oração mais completa a garantir--nos o crédito necessário aos sentimentos e raciocínios, às idéias e às palavras, que, alicerçados no bem puro e simples, se convertem, com a bênção de Deus, para nós e para os outros em sublime realidade, hoje e amanhã. 

Do livro "Instrumentos do Tempo", psicografia de Francisco Candido Xavier pelo espírito Emmanuel.

Paz e Luz!

sexta-feira

Ante o Suicídio


Se a ideia do suicídio alguma vez te visita o pensamento, reflete no infortúnio de alguém que haja tentado inutilmente destruir a si mesmo, quando pela própria imortalidade, está claramente incapaz de morrer. 

Na tese x hipótese de haver arremessado um projétil sobre si, ingerido esse ou aquele veneno, recusado a vida pelo enforcamento ou procurado extinguir as próprias forças orgânicas por outros meios, indubitavelmente arrastará consigo as conseqüências desses atos, a se lhe configurarem no próprio ser, na forma de chamados complexos de culpa. 

Entendendo-se que a morte do corpo denso é semelhante a um sono profundo, de que uma pessoa ressurgirá sempre, é natural que esse alguém penetre no Mundo Maior, na condição de vítima de si mesmo. Não nos é lícito esquecer que os suicidas, na Espiritualidade, não são órfãos da Misericórdia Divina, e, por isso mesmo, inúmeros benfeitores lhes propiciam o socorro possível. 

Entretanto, benfeitor algum consegue eximi-los, de imediato, do tratamento de recuperação que, na maioria das vezes, lhes custará longo tempo. 

Ponderando quanto ao realismo do assunto, por maiores se te façam as dificuldades do caminho, confia em Deus que, em te criando a vida, saberá defender-te e amparar-te nos momentos difíceis. 

Observa que não existem provações sem causa e, em razão disso, seja onde for, estejamos preparados para facear os resultados de nossas próprias ações do presente ou do passado, em nos referindo às existências anteriores. 

Cientes de não existem problemas sem solução, por mais pesada a carga do sofrimento, em que te vejas, segue à frente, trabalhando e servindo, lançando um olhar para a retaguarda, de modo a verificar quantas criaturas existem carregando fardos de tribulações muito maiores e mais constrangedoras do que os nossos. 

O melhor meio de nos premunirmos na Terra contra o suicídio, será sempre o de nos conservarmos no trabalho que a vida nos confia, porque o trabalho invariavelmente dissolve quaisquer sombras que nos envolvem a mente. 

E, por fim, consideremos, nas piores situações em que nos sintamos, que Deus, cujo infinito amor nos sustentou até ontem, embora os nossos erros, em nos assinalando os propósitos de regeneração e melhoria, nos sustentará também hoje.


Emmanuel / Chico Xavier

quinta-feira

Para Meditarmos Sobre o Suicídio



Nota: trecho de conselhos de um Espírito Superior, dirigindo-se a um grupo de suicidas, incluindo aí Camillo Castello Branco, quando se encontravam em recuperação no Plano Espiritual. 

"Se em vez do que vindes tentando improficuamente, procurásseis meios de vos tornardes agentes da lídima Fraternidade, exercida com tanta eficiência pelo Divino Modelo do Amor, já vos encontraríeis vitoriosos,espalmando alegrias que longe estariam de vos manter a alma assim torva e encapelada.

A Caridade, meus amigos - permita-me que vo-lo recorde é a generosa redentora daqueles que se desviaram da rota delineada pela Providência! Por isso mesmo o sábio Rabi da Galiléia ofereceu-a como ensinamento supremo à Humanidade, que Ele sabia divorciada da Luz, por mais fácil e mais rápido caminho para a regeneração!

É tempo já de pensardes com desprendimento na Divina Mensagem trazida por Jesus e de saturardes os arcanos do ser com algumas gotas das suas essências imortais e incomparáveis!

Avultam nas camadas sociais terrenas, como nas invisíveis, problemas dolorosos a serem solucionados, desvarios a serem moderados, infinitas modalidades de desgraças, desventuras acérrimas a afligirem a Humanidade, requisitando concurso fraterno de cada coração generoso a fim de serem ressarcidas, consoladas!

Nos hospitais, nas prisões, nas residências humildes como na opulência dos palácios, por toda a parte encontram-se mentes enoitadas pela incompreensão e pelo desespero, corações precipitados pelo ritmo violento de provações e de problemas insolúveis neste século! Em qualquer recanto onde se haja ocultado a descrença, onde a paixão se instale e a desventura e o infortúnio se mesclem de revolta ou desânimo; onde a honra,a moral , o respeito próprio e alheio não forem consultados para a prática das ações, e onde, enfim, a vida se converteu em fonte de animalidade e egoísmo, lavra a possibilidade de uma queda nos abismos de trevas onde vos agitastes entre raivosas convulsões!

Diligenciai por encontrar tais recantos: estão por aí, a cada passo!... Aconselhai o pecador a deter-se, em nome da vossa experiência!... e apontai-lhe, como bálsamo para as amarguras, aquele mesmo que desdenhastes quando homem e hoje reconheceis como o único refrigério, a única força capaz de soerguer a criatura da desgraça para enobrecê-la à mirífica luz da conformidade nos prélios dignificantes de onde sairá vitoriosa, quaisquer que sejam as decepções que a açoitem: o Amor de Deus! A submissão ao Irrevogável! 

Tornai-vos consoladores, exercitando agenciar a Beneficência, segredando sugestões animadoras e reconfortativas ao coração das mães aflitas, dos jovens desesperados pelas desilusões prematuras, das desgraçadas mulheres atiradas ao lodo, cujos infortúnios raramente encontram a compassividade alheia, as quais sofrem insuladas entre os espinhos das próprias inconsequências, desencorajadas de reclamarem, para si também, a ternura paternal de Deus, a que, como as demais criaturas têm sacrossantos direitos!

São, todos estes, seres que estão a requisitar alento protetor dos corações sensíveis, bem- intencionados, quando mais não seja com a dádiva luminosa de uma prece! 

Pois dai-lhe, uma vez que também o recebestes de almas serviçais e ternas, quando vos encontráveis a bracejar entre bramidos de dor, nas trevas que vos surpreenderam após a tragédia em que vos deixastes enredar!

Preferi, portanto, as manobras santificantes da Caridade discreta e obscura, preferi!

... E bem cedo reconhecereis , através das trilhas que haveis de palmilhar, as florescências de muito doces alegrias..."

Yvonne Pereira 
Obra: Memórias de um Suicida - FEB

Paz e Luz!