quarta-feira

COMPAIXÃO E VIDA



~ Espírito Meimei ~

Compadece-te de quantos se encarceram nas malhas esbraseadas da violência.

A fim de prestar-lhes auxílio, lembra-te de cultivar a paz, como quem se decide a socorrer as vítimas de um incêndio, usando compreensão e brandura.

Aqueles que largam a órbita da prudência, caindo na agressividade exagerada, entram para logo nos quadros patológicos da loucura. E já não sabem o que fazem.

Compadece-te sempre.

Por trás das palavras candentes que te magoam, comumente existe um coração avinagrado pela carência de amor, suplicando apoio afetivo.

Na retaguarda dessas faces contraídas, semelhantes a máscaras de ódio despejando condenação, muitas vezes se esconde a dor da criatura que se vê sem forças suficientes para suportar a moléstia que carrega no próprio corpo. E movendo as mãos que espancam sem pensar, quase sempre, jazem sofrimentos ocultos ou influências obsessivas que as fazem desvairar.

Se te encontras em caminho com semelhantes doentes da alma, abençoa-os com a prece muda e segue adiante.

Se te gritam em rosto impropérios e insultos, continua orando por eles, nada repliques e confia-os em pensamento, à Providência Divina. Os agressores são irmãos enfermos, em cuja alma a revolta instalou perigosas tomadas de ligação com as trevas que lhes atormentam a vida.

Diante deles, recorda a paz que o Senhor te concede e entrega-os à farmácia do Bem Eterno.

Perante quaisquer problemas, o Céu tem soluções que desconhecemos.

É por isso que Jesus proclamou no Sermão do Monte: “Bem-aventurados os misericordiosos porque encontrarão misericórdia, diante das Leis de Deus”.


Do livro Marcas do Caminho, obra psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier.

Paz e Luz

sábado

Visão Espírita da Bíblia


18 - DEUS MORRE QUANDO OS HOMENS SE APEGAM À LETRA QUE MATA 

Revistas inglesas, norte-americanas, alemãs e francesas vêm há meses anunciando a morte de Deus. Uma revista brasileira aproveitou o assunto e os dados das revistas estrangeiras. Não há nenhuma novidade no assunto, que outras publicações do mundo inteiro vão repetindo. Nem se trata de campanha contra a ideia de Deus, como pretendem alguns religiosos de vistas curtas. Simples questão de interesse jornalístico. Mas a verdade é que tudo começou com os teólogos, os doutores da ciência de Deus, que já não sabem mais o que fazer com essa ciência. 

A existência de ateus e a propagação do ateísmo não são novidades. Os ateus já dominam politicamente mais da metade do mundo. Ideologicamente representam a maioria das pessoas cultas. Para todos eles, Deus já morreu há muito tempo. As igrejas são importantes para devolver-lhes a fé. Esse o motivo do desespero dos teólogos, que chegam* à conclusão de que Deus está morrendo e é necessário salvá-lo. Mas é preciso não confundir Deus com a concepção antropomórfica de Deus. O que está morrendo, e ninguém jamais conseguirá reabilitá-la, é essa concepção, oferecida ingenuamente pelos pregadores bíblicos a um mundo que não vive mais a fase agrária da civilização judaica antiga. 

Os fanáticos da Bíblia não podem evitar a morte de Deus. Quanto mais falarem e escreverem sobre Deus, mais o afastarão do espírito arejado dos homens modernos. Porque a ideia de um Deus semelhante ao homem só podia servir para criaturas ingênuas, numa fase primária da evolução humana. Enquanto os teólogos, os pregadores, os religiosos em geral, não se convencerem de que as Escrituras Sagradas não são tabus e devem ser estudadas no seu espírito, sem apego à letra, nada poderão fazer contra o ateísmo. 

A concepção bíblica de Deus é alegórica, como já afirmamos numerosas vezes. O Livro dos Espíritos ensina isso desde as suas primeiras páginas. A própria Bíblia proíbe que façamos imagens de Deus, pois essas imagens são perecíveis. Quando elas morrem, Deus pode morrer na alma desolada dos crentes. Se quisermos evitar a morte de Deus na consciência humana, evitemos o literalismo bíblico e a idolatria. Uma imagem mental de Deus é também um ídolo perecível, e quem a cultua não é menos idólatra que os adoradores de imagens materiais. A concepção espírita de Deus está acima dessas controvérsias teológicas. O Deus espírita não é um ídolo, mas aquela realidade que, como dizia Descartes, está na consciência do homem como a marca do artista na sua obra.


19 - JESUS PROCLAMOU EM NAZARÉ O ANO AGRADÁVEL AO SENHOR
Jesus declarou, na sua prédica primeira na Sinagoga de Nazaré, ao ler Isaías e interpretá-lo: "O espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para por em liberdade os oprimidos e proclamar o ano aceitável do Senhor". É o que consta dos versículos 18a 19 do Cap. IV do Evangelho de Lucas, tradução de Almeida, revista e atualizada no Brasil. Outras traduções mencionam, em lugar de "ano aceitável" o "ano agradável ao Senhor". 

Esse ano era uma tradição judaica a que o Levítico se refere de maneira minuciosa (XXV: l-34). Havia o ano Sétimo, o Sábado do Senhor, por analogia com a semana que era o ano do descanso da terra cultivada. E havia o Ano do Jubileu, ou Qüinquagésimo, que era o da Justiça, caracterizado na proclamação de Jesus. De cinqüenta em cinqüenta anos se procedia a uma verdadeira reforma da estrutura agrária do Estado para o reequilíbrio das condições sociais, com libertação dos escravos. Jesus serviu-se dessa tradição para anunciar a sua missão como a proclamação do Ano Agradável ao Senhor, ou seja, de uma nova fase da vida na Terra. 

Um famoso pastor, o rev. Stanley Jones, chamado o Cavaleiro do Reino de Deus, estudou essa tradição em suas ligações com o Cristianismo dos primeiros tempos, demonstrando que os cristãos primitivos queriam realmente estabelecer na Terra o Ano Agradável ao Senhor. A idéia do Novo Ano como oportunidade de renovação, de volta do homem para Deus e de sujeição das leis humanas às leis de Deus vem das próprias Escrituras. Em O Livro dos Espíritos, de Kardec, obra básica do Espiritismo, essa idéia se traduz num esforço profundo de renovação pessoal e social, afirmando os Espíritos que a função da doutrina é renovar o mundo para aproximá-lo das leis de Deus cujo centro de gravitação é a "Lei de Justiça, Amor e Caridade", estudada num capítulo especial. 

Aproveitemos a oportunidade do Novo Ano para ler esse capítulo do Livro III de O Livro dos Espíritos e meditar sobre as palavras de Jesus na proclamação de Nazaré. O Cristianismo é o foco central de um processo histórico que vem do Judaísmo e se desenvolve no Espiritismo, segundo a promessa de Jesus no Evangelho de João. A finalidade do Espiritismo é estabelecer na Terra o Ano Agradável ao Senhor, com a substituição do egoísmo e da ambição do homem velho pelo amor e a fraternidade do homem novo. Que o Novo Ano nos ajude nessa renovação cristã

20 - A GÉNESE EXPLICADA A LUZ DOS PRINCÍPIOS ESPÍRITAS 

O Espiritismo rejeita a concepção bíblica da gênese ou procura explicá-la? Como temos dito, repetindo afirmações de Kardec e Denis, o Espiritismo é a grande síntese do conhecimento. Originada pelo desenvolvimento histórico do Cristianismo, essa síntese obedece à orientação do Cristo: não vem destruir ou negar, mas confirmar e explicar. No caso da criação do mundo e do homem, segundo a Bíblia, ele confirma a realidade na alegoria e dá a explicação desta. Impossível tomar-se hoje a Bíblia ao pé da letra. É necessário penetrar o sentido dos seus símbolos, dos seus mitos, das suas alegorias.

No capítulo quatro de A Gênese, Kardec estuda o problema à luz das conquistas científicas do seu tempo. Mostra que o poema bíblico da Criação é uma explicação figurada, à semelhança da gênese de todas as religiões antigas, e conclui: "De todas as antigas gêneses, a que mais se aproxima dos dados científicos modernos, apesar dos seus erros, hoje evidentemente demonstrados, é incontestavelmente a de Moisés". Alguns dos seus erros, acrescenta, são mais aparentes do que reais, decorrendo de falsas interpretações de palavras nas traduções, de modificações semânticas ao longo dos milênios e de se tomar ao pé da letra as suas expressões e formas alegóricas. O Livro dos Espíritos, no capítulo primeiro de sua terceira parte, traz um estudo intitulado "Considerações e concordâncias bíblicas referentes à Criação", que esclarece bem este assunto. No capítulo décimo segundo de A Gênese, reproduzindo o texto bíblico, Kardec o estuda em relação aos dados científicos, oferecendo um quadro comparativo da alegoria dos seis dias da criação com os espíritos da formação geológica determinados pela Ciência. Acentua, porém, que a concordância não é rigorosa e não pode ser tomada como tal, mas basta para provar a intuição da realidade na alegoria bíblica.

Kardec conclui o capítulo afirmando: "Não rejeitemos, pois, a gênese bíblica, mas estudemo-la, como estudamos a história da origem dos povos". Hoje, os próprios teólogos católicos e protestantes estão endossando as explicações espíritas. Há uma revolução teológica em marcha, que vem apenas confirmar a legitimidade da interpretação espírita das Escrituras. Só os crentes fanáticos da Bíblia, os literalistas amarrados ao texto, ainda investem contra o Espiritismo de Bíblia em punho.

J. Herculano Pires
Paz e Luz

Missão dos Profetas

 
Atribui-se comumente aos profetas o dom de adivinhar o futuro, de sorte que as palavras profecia e predição se tornaram sinônimas. No sentido evangélico, o vocábulo profeta tem mais extensa significação. Diz-se de todo enviado de Deus com a missão de instruir os homens e de lhes revelar as coisas ocultas e os mistérios da vida espiritual. Pode, pois, um homem ser profeta, sem fazer predições. Aquela era a ideia dos judeus, ao tempo de Jesus. Daí vem que, quando o levaram à presença do sumo-sacerdote Caifás, os escribas e os anciães, reunidos, lhe cuspiram no rosto, lhe deram socos e bofetadas, dizendo: "Cristo, profetiza para nós e dize quem foi que te bateu." Entretanto, deu-se o caso de haver profetas que tiveram a presciência do futura, quer por intuição, quer por providencial revelação, a fim de transmitirem avisos aos homens. Tendo-se realizado os acontecimentos preditos, o dom de predizer o futuro foi considerado como um dos atributos da qualidade de profeta.
KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. FEB. Capítulo 21. Item 4.
Paz e Luz! 

quarta-feira

Visão Espírita da Bíblia


18 - DEUS MORRE QUANDO OS HOMENS SE APEGAM À LETRA QUE MATA 

Revistas inglesas, norte-americanas, alemãs e francesas vêm há meses anunciando a morte de Deus. Uma revista brasileira aproveitou o assunto e os dados das revistas estrangeiras. Não há nenhuma novidade no assunto, que outras publicações do mundo inteiro vão repetindo. Nem se trata de campanha contra a idéia de Deus, como pretendem alguns religiosos de vistas curtas. Simples questão de interesse jornalístico. Mas a verdade é que tudo começou com os teólogos, os doutores da ciência de Deus, que já não sabem mais o que fazer com essa ciência. 

A existência de ateus e a propagação do ateísmo não são novidades. Os ateus já dominam politicamente mais da metade do mundo. Ideologicamente representam a maioria das pessoas cultas. Para todos eles, Deus já morreu há muito tempo. As igrejas são importantes para devolver-lhes a fé. Esse o motivo do desespero dos teólogos, que chegam* à conclusão de que Deus está morrendo e é necessário salvá-lo. Mas é preciso não confundir Deus com a concepção antropomórfica de Deus. O que está morrendo, e ninguém jamais conseguirá reabilitá-la, é essa concepção, oferecida ingenuamente pelos pregadores bíblicos a um mundo que não vive mais a fase agrária da civilização judaica antiga. 

Os fanáticos da Bíblia não podem evitar a morte de Deus. Quanto mais falarem e escreverem sobre Deus, mais o afastarão do espírito arejado dos homens modernos. Porque a idéia de um Deus semelhante ao homem só podia servir para criaturas ingênuas, numa fase primária da evolução humana. Enquanto os teólogos, os pregadores, os religiosos em geral, não se convencerem de que as Escrituras Sagradas não são tabus e devem ser estudadas no seu espírito, sem apego à letra, nada poderão fazer contra o ateísmo. 

A concepção bíblica de Deus é alegórica, como já afirmamos numerosas vezes. O Livro dos Espíritos ensina isso desde as suas primeiras páginas. A própria Bíblia proíbe que façamos imagens de Deus, pois essas imagens são perecíveis. Quando elas morrem, Deus pode morrer na alma desolada dos crentes. Se quisermos evitar a morte de Deus na consciência humana, evitemos o literalismo bíblico e a idolatria. Uma imagem mental de Deus é também um ídolo perecível, e quem a cultua não é menos idólatra que os adoradores de imagens materiais. A concepção espírita de Deus está acima dessas controvérsias teológicas. O Deus espírita não é um ídolo, mas aquela realidade que, como dizia Descartes, está na consciência do homem como a marca do artista na sua obra.


19 - JESUS PROCLAMOU EM NAZARÉ O ANO AGRADÁVEL AO SENHOR

 Jesus declarou, na sua prédica primeira na Sinagoga de Nazaré, ao ler Isaías e interpretá-lo: "O espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para por em liberdade os oprimidos e proclamar o ano aceitável do Senhor". É o que consta dos versículos 18a 19 do Cap. IV do Evangelho de Lucas, tradução de Almeida, revista e atualizada no Brasil. Outras traduções mencionam, em lugar de "ano aceitável" o "ano agradável ao Senhor". 

Esse ano era uma tradição judaica a que o Levítico se refere de maneira minuciosa (XXV: l-34). Havia o ano Sétimo, o Sábado do Senhor, por analogia com a semana que era o ano do descanso da terra cultivada. E havia o Ano do Jubileu, ou Qüinquagésimo, que era o da Justiça, caracterizado na proclamação de Jesus. De cinqüenta em cinqüenta anos se procedia a uma verdadeira reforma da estrutura agrária do Estado para o reequilíbrio das condições sociais, com libertação dos escravos. Jesus serviu-se dessa tradição para anunciar a sua missão como a proclamação do Ano Agradável ao Senhor, ou seja, de uma nova fase da vida na Terra. 

Um famoso pastor, o rev. Stanley Jones, chamado o Cavaleiro do Reino de Deus, estudou essa tradição em suas ligações com o Cristianismo dos primeiros tempos, demonstrando que os cristãos primitivos queriam realmente estabelecer na Terra o Ano Agradável ao Senhor. A idéia do Novo Ano como oportunidade de renovação, de volta do homem para Deus e de sujeição das leis humanas às leis de Deus vem das próprias Escrituras. Em O Livro dos Espíritos, de Kardec, obra básica do Espiritismo, essa idéia se traduz num esforço profundo de renovação pessoal e social, afirmando os Espíritos que a função da doutrina é renovar o mundo para aproximá-lo das leis de Deus cujo centro de gravitação é a "Lei de Justiça, Amor e Caridade", estudada num capítulo especial. 

Aproveitemos a oportunidade do Novo Ano para ler esse capítulo do Livro III de O Livro dos Espíritos e meditar sobre as palavras de Jesus na proclamação de Nazaré. O Cristianismo é o foco central de um processo histórico que vem do Judaísmo e se desenvolve no Espiritismo, segundo a promessa de Jesus no Evangelho de João. A finalidade do Espiritismo é estabelecer na Terra o Ano Agradável ao Senhor, com a substituição do egoísmo e da ambição do homem velho pelo amor e a fraternidade do homem novo. Que o Novo Ano nos ajude nessa renovação cristã. 


20 - A GÉNESE EXPLICADA À LUZ DOS PRINCÍPIOS ESPÍRITAS 

O Espiritismo rejeita a concepção bíblica da gênese ou procura explicá-la? Como temos dito, repetindo afirmações de Kardec e Denis, o Espiritismo é a grande síntese do conhecimento. Originada pelo desenvolvimento histórico do Cristianismo, essa síntese obedece à orientação do Cristo: não vem destruir ou negar, mas confirmar e explicar. No caso da criação do mundo e do homem, segundo a Bíblia, ele confirma a realidade na alegoria e dá a explicação desta. Impossível tomar-se hoje a Bíblia ao pé da letra. É necessário penetrar o sentido dos seus símbolos, dos seus mitos, das suas alegorias.

No capítulo quatro de A Gênese, Kardec estuda o problema à luz das conquistas científicas do seu tempo. Mostra que o poema bíblico da Criação é uma explicação figurada, à semelhança da gênese de todas as religiões antigas, e conclui: "De todas as antigas gêneses, a que mais se aproxima dos dados científicos modernos, apesar dos seus erros, hoje evidentemente demonstrados, é incontestavelmente a de Moisés". Alguns dos seus erros, acrescenta, são mais aparentes do que reais, decorrendo de falsas interpretações de palavras nas traduções, de modificações semânticas ao longo dos milênios e de se tomar ao pé da letra as suas expressões e formas alegóricas. O Livro dos Espíritos, no capítulo primeiro de sua terceira parte, traz um estudo intitulado "Considerações e concordâncias bíblicas referentes à Criação", que esclarece bem este assunto. No capítulo décimo segundo de A Gênese, reproduzindo o texto bíblico, Kardec o estuda em relação aos dados científicos, oferecendo um quadro comparativo da alegoria dos seis dias da criação com os espíritos da formação geológica determinados pela Ciência. Acentua, porém, que a concordância não é rigorosa e não pode ser tomada como tal, mas basta para provar a intuição da realidade na alegoria bíblica. 

Kardec conclui o capítulo afirmando: "Não rejeitemos, pois, a gênese bíblica, mas estudemo-la, como estudamos a história da origem dos povos". Hoje, os próprios teólogos católicos e protestantes estão endossando as explicações espíritas. Há uma revolução teológica em marcha, que vem apenas confirmar a legitimidade da interpretação espírita das Escrituras. Só os crentes fanáticos da Bíblia, os literalistas amarrados ao texto, ainda investem contra o Espiritismo de Bíblia em punho. 


J.Herculano Pires
Paz e Luz!

Solução Natural


Os espíritos benfeitores já não sabiam como atender à pobre senhora obsidiada.

Perseguidor a perseguida estavam mental-mente associados à maneira de polpa e casca no fruto.

Os amigos desencarnados tentaram afastar o obsessor, induzindo a jovem senhora a esquecê-lo, mas debalde.

Se tropeçava na rua, a moça pensava nele...

Se alfinetava um dedo em serviço, atribuía- lhe o golpe...

Se o marido estivesse irritado, dizia-se vítima do verdugo invisível...

Se a cabeça doía, acusava-o ...

Se uma xícara se espatifasse, no trabalho doméstico, imaginava-se atacada por ele...

Se aparecesse leve dificuldade econômica, transformava a prece em crítica ao desencarnado infeliz...

Reconhecendo que a interessada não encontrava libertação por teimosia, os instrutores espirituais ligaram os dois - a doente e o acompanhante invisível - em laços fluídicos mais profundos, até que ele renasceu dela mesma, por filho necessitado de carinho e de compaixão.

Os benfeitores descansaram.

O obsessor descansou.

A obsidiada descansou.

O esposo dela descansou.

Transformar obsessores em filhos, com a bênção da Providência Divina, para que haja paz nos corações e equilíbrio nos lares, muita vez, é a única solução.

Espírito Hilário:
Chico Xavier

Paz e luz!

O Mais Difícil


Diante das águas calmas, Jesus refletia. Afastara-se da multidão, momentos antes. Ouvira remoques e sarcasmos. Vira chagas e aflições. O Mestre pensava…

Tadeu e Tiago, o moço, João e Bartolomeu aproximaram-se. Não era aquele um momento raro? E ensaiaram perguntas.

– Senhor – disse João -, qual é o mais importante aviso da Lei na vida dos homens?

E o Divino Amigo passou a responder: – Amemos a Deus sobre todas as coisas e o próximo como a nós mesmos.

– E qual a virtude mais preciosa? – indagou Tadeu.

– A humildade.

– Qual o talento mais nobre, Senhor? – falou Tiago.

– O trabalho.

– E a norma de triunfo mais elevada? – interrogou Bartolomeu.

– A persistência no bem.

– Mestre, e qual é, para nós todos, o mais alto dever? – aventurou Tadeu novamente.

– Amar a todos, a todos servindo sem distinção.

– Oh! Isso é quase impossível – gemeu o aprendiz.

– A maldade é atributo de todos – clamou Tiago -; faço o bem quanto posso, mas apenas recolho espinhos de ingratidão.

– Vejo homens bons sofrendo calúnias por toda parte – acentuou outro discípulo.

– Tenho encontrado mãos criminosas toda vez que estendo as mãos para auxiliar – disse outro.

E as mágoas desfilaram diante do Mestre silencioso.

João, contudo, voltou a interrogá-lo:

– Senhor, que é mais difícil? Qual a aquisição mais difícil?

Jesus sorriu e declarou:

– A resposta está aqui mesmo em vossas lamentações. O mais difícil é ajudar em silêncio, amar sem crítica, dar sem pedir, entender sem reclamar… A aquisição mais difícil para nós todos chama-se paciência.

**************

Pelo Espírito Hilário Silva. 
Psicografia de Francisco Cândido Xavier.

Livro: A Vida Escreve. Lição nº 10. Página 49.

Paz a todos!

Visão Espírita da Bíblia



15 - EXPRESSÕES E PALAVRAS DESFIGURADAS NA BÍBLIA


Estamos vivendo uma fase de intensa reformulação dos textos bíblicos. A "Palavra de Deus" vem sendo alterada, modificada e muitas vezes arranjada, de acordo com os interesses dos homens. Já existe mesmo uma tradução da Bíblia que se diz aceitável pelos materialistas. A velha discussão sobre a Vulgata Latina levou os novos tradutores a recorrerem ao texto hebraico.

A tradução clássica do padre Figueiredo, segundo a Vulgata, é acusada de suspeitas, preferindo-se a do padre Almeida, que como vimos, também já foi modificada. O religioso esclarecido sabe muito bem que as versões antigas da Bíblia estão superadas. Mas há os que nada entendem e consideram o velho livro como intocável e imutável. Esses acreditam cegamente nas pretensas condenações ao Espiritismo. Para eles, só podemos repetir as palavras de Jerônimo de Praga, quando uma velhinha beata levou mais uma acha de lenha para a fogueira em que o queimaram: "Sancta Simplicitas". A tradução dinamarquesa da Bíblia não trata dos dons espirituais. O teólogo Haraldur Nielsson explica-nos a razão dessa aparente discrepância. Pasmem os defensores do dogma da graça, que consideram Deus como chefe do partido a que pertencem! O tradutor categorizado da Bíblia para o islandês, o rev. Nielsson, que fez a tradução a serviço da Sociedade Bíblica Inglesa, declara: "No texto grego está a palavra Espíritos e não a expressão Dons Espirituais". E acrescenta: "Em muitas traduções da Bíblia, esta passagem foi verificada de maneira confusa apesar de não haver a menor dúvida quanto à verdadeira significação dos termos gregos do texto original: "epei zelotai este pneumaten".

Nielsson adverte ainda que os tradutores e revisores da Bíblia nem sempre tiveram a coragem de traduzir com exatidão os textos originais que se referem claramente à comunicação dos Espíritos. E faz, corretamente, uma grave denúncia: "Os teólogos prenderam os seus sistemas em pesadas e estreitas cadeias". A Bíblia, estudada segundo o espírito que vivifica, sem os prejuízos da letra que mata, revela a sua face espirítica e por tanto mediúnica, como o demonstra o rev. Nielsson e como afirmou Kardec. Trataremos mais amplamente dos Dons Espirituais.


16-EPÍSTOLAS TESTEMUNHAM MEDIUNIDADE APOSTÓLICA
A expressão Dons Espirituais, como a expressão Espírito Santo, não aparece nos textos bíblicos originais. O rev. Nielsson declara, com sua autoridade de teólogo e traduzir da Bíblia: "Os termos da Vulgata Latina, spiritum bonum, correspondem exatamente aos dos originais gregos. A Vulgata não fala absolutamente em Espírito e Espírito Santo". Isso, no tocante ao Novo Testamento, pois no Velho só se fala em Espírito e Espírito de Deus. Quanto aos Dons Espirituais, a situação é a mesma. Essa expressão aparece apenas nos textos paulinos, com a palavra grega charismata, que significa literalmente mediunidade, ou seja, a graça de ser intermediário entre os Espíritos e os Homens. 
Os estudos do Rev. Haraldur Nielsson, enfeixados no livrinho O Espiritismo e a Igreja, recentemente lançado, esclarecem bem este assunto. Nielsson nos mostra, com sua imensa autoridade, que a palavra transe vem da Bíblia, derivando diretamente de êxtase. Eis uma das suas afirmações: "O próprio Paulo nos diz que estava freqüentemente em transe. O apóstolo Pedro conta-nos a mesma coisa". E a propósito de João e sua advertência para examinarmos "se os Espíritos são de Deus", lembra que Paulo também adverte que: "... ninguém que fala pelo Espírito de Deus diz anátema contra Jesus..." (l Cor. XII:3). 

A mediunidade era usada entre os judeus e entre os cristãos primitivos, e Nielsson acentua textualmente: "Segundo a concepção dos tempos apostólicos, os Espíritos podiam ser bons ou maus, muito evoluídos ou inferiores e atrasados". Isto explica as advertências apostólicas, pois nas assembleias cristas manifestavam-se também os maus Espíritos, amaldiçoando o Cristo para defenderem o Judaísmo ortodoxo ou mesmo para defenderem as religiões politeístas, que também usavam a mediunidade. 

Vemos assim como são inúteis os ataques ao Espiritismo em nome da Bíblia, que é um livro mediúnico. E como os espiritistas e o Espiritismo nada têm a temer da Bíblia. E preciso apenas mostrar a verdade sobre a Bíblia, separar o que há nela de humano e divino, não aceitá-la de olhos fechados, dogmaticamente, como "a palavra de Deus", o que é simples absurdo proveniente de épocas de fanatismo. A Bíblia é muito valiosa para os espiritistas estudiosos, porque é o maior e mais vigoroso testemunho da verdade espírita na Antiguidade. ''


17 - COMO OS APÓSTOLOS FAZIAM AS SUAS SESSÕES ESPÍRITAS 

Qual era o culto dos cristãos na Igreja Primitiva? Que responda o apóstolo Paulo, na l Epístola aos Coríntios. Nas suas instruções para a celebração da ceia, (XI: 17-34), Paulo nos mostra que esta era simbólica e memorial. Não se tratava propriamente de uma ceia, mas de uma cerimônia religiosa, e os participantes já deviam ter tomado em casa o seu alimento, para não perturbarem a reunião. Comia-se o pão e bebia-se o vinho. Um pequeno pedaço de pão e uma pequena taça de vinho, em memória do Senhor. Veja-se a advertência do vers. 34: "Se alguém tem fome, coma em casa, a fim de não vos reunirdes para juízo". 

A cerimônia simbólica de pão e de vinho não era privativa dos cristãos. Os próprios cananitas a usavam, a ceia maçônica primitiva se constituía dela, e as religiões idólatras a praticavam para os pagãos; o pão representava a deusa Ceres e o vinho o deus Dionísio. Para os cristãos, o pão representava a matéria e o vinho o espírito. A união do espírito com a matéria produzia a "comunhão", que tanto pode ser a encarnação do espírito quanto a incorporação, o nascimento do ser humano ou a união de espírito como o profeta para a transmissão da comunicação mediúnica. 
Os profetas eram chamados "pneumáticos", na expressão grega do texto, que quer dizer: cheios de espírito. Havia dois tipos de espíritos: os de Deus, que eram bons, e os do Mundo, que eram maus. A respeito das comunicações, Paulo é incisivo:
 "A manifestação do espírito é concedida a cada um, visando a um fim proveitoso". Reunidos os pneumáticos à mesa, em ordem, não se devia permitir o tumulto. Paulo avisa: "Tratando-se de profetas, falem apenas dois ou três, e os outros julguem". Do Cap. XI ao XIV, Paulo ensina como se fazia a reunião "pneumática" da Igreja Primitiva, e essas regras são as mesmas das sessões mediúnicas de hoje. 

O dogmatismo desfigurou a pureza do texto, através de interpretações errôneas ou capciosas. Mas, apesar disso, o texto conserva o sentido verdadeiro, mesmo nas traduções atualizadas. As citações acima são da tradução de Almeida, na recente edição da Sociedade Bíblica do Brasil, na qual foi introduzida a palavra "médium". O estudo das expressões de Paulo nessa epístola, à luz dos estudos históricos e em confronto com todo o contexto escriturístico, mostra que os apóstolos e os cristãos primitivos faziam sessões espíritas. E mostra mais: que nessas sessões, como nas atuais, manifestavam-se espíritos bons e maus; aqueles, dando instruções e estes, necessitando de orientação espiritual. Para esconder sua verdade, foram necessárias as "pesadas e estreitas cadeias" de que fala o rev. Haraldur Nielsson em seu livro O Espiritismo e a Igreja.

J. Herculano Pires
Paz e Luz